Esquema de rifas virtuais: Casal de influenciadores preso após comemorar acordo na Justiça com casamento de luxo e fogos de artifício é solto

  • 29/11/2025
(Foto: Reprodução)
MP revoga acordo e manda prender casal de influenciadores O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou, neste sábado (29), que foram soltos os influenciadores de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Gladison Pieri e Pâmela Pavão, que estavam presos desde 4 de junho deste ano sob suspeita de envolvimento em um esquema de exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro. Os dois são acusados de realizar rifas virtuais pela internet, o que é ilegal (saiba mais abaixo). A prisão do casal ocorreu após descumprimento de regras estabelecidas em um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado com o Ministério Público (MP). O acerto foi cancelado após Pieri e Pâmela publicarem vídeos nas redes sociais comemorando com fogos de artifício e com um casamento de luxo, segundo Tiago Moreira, promotor do caso. Entre as regras para a manutenção do ANPP estava não fazer uso de redes sociais na internet. ➡️Ao ser formalizado, um ANPP encerra a possibilidade de denúncia à Justiça por crimes cometidos e confessados. Dessa forma, quem responde pelos crimes não é processado e, consequentemente, condenado. Em troca, são cumpridas medidas cautelares. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Na sexta-feira (28), as prisões preventivas foram substituídas por medidas cautelares e os influenciadores foram soltos. As medidas cautelares impostas incluem: Proibição de sair da comarca Apresentação mensal em juízo Vedação de alteração de endereço Proibição de acesso às redes sociais Proibição de envolvimento com jogos de azar Além da proibição de contato com testemunhas e demais réus e a obrigação de comparecer a todos os atos processuais Por meio da nota, os advogados do casal disseram que "uma análise cuidadosa dos fatos pelo Magistrado demonstraria que não havia motivos para manter o casal Gladison Pieri e Pamela Pavão em prisão preventiva, tendo em vista que eles nunca descumpriram as cautelares imposta" (leia, abaixo, a nota na íntegra). Uma nova audiência na Justiça sobre o caso está marcada para 16 de dezembro, ocasião em que serão ouvidas testemunhas e os influenciadores serão interrogados. Foguetório e casamento Os vídeos divulgados pelos influenciadores mostravam um foguetório durante a noite que, segundo a investigação da Polícia Civil, vinha da casa dos influenciadores. Ainda de acordo com a Polícia Civil, seria uma comemoração pelo acordo que evitaria o processo criminal contra os dois. "A gente realmente fica incrédulo, porque, pelo menos na minha carreira, eu nunca vi alguém comemorar um acordo de não persecução penal. Então a gente fica realmente desacreditando", disse a delegada Luciana Bertoletti na época das prisões. Além disso, poucos dias após assinar o acordo, aconteceu o casamento dos influenciadores. A cerimônia foi realizada às margens de um lago, com música ao vivo e estrutura luxuosa. "O que tínhamos conversado, inclusive com os advogados, é que não havia mais condições de firmar nenhum acordo porque eles não tinham mais nenhum valor para alcançar. Mas depois de ter acesso às imagens da festa, que foi uma festa luxuosa, uma festa com altos contratos de prestação de serviço, até a presença de um MC, a gente interpretou que continuavam com um poder econômico fora do normal", disse a delegada. O promotor de Justiça Tiago Moreira diz que os vídeos caracterizam alteração no rumo do processo e que, com base nos novos fatos trazidos pela investigação da Polícia Civil, o caso será reavaliado e pode resultar em uma nova denúncia à Justiça. Se a Justiça aceitar a denúncia, começarão a ser julgados. Vídeos do casamento de influenciadores investigados motivaram o cancelamento de acordo que afastaria processo Reprodução/RBS TV Prisão O casal foi preso preventivamente pela segunda vez, por descumprimento de ordem judicial, em junho deste ano. A investigação da Polícia Civil indica que eles sorteavam casas, apartamentos, motocicletas, motos aquáticas, dinheiro, carros e procedimentos estéticos por meio de rifas na internet, o que é ilegal. Entenda abaixo. PMs afastados A Polícia Civil também descobriu que policiais militares que faziam a segurança privada do casal estavam repassando informações sigilosas aos influenciadores. Cinco PMs foram afastados de suas funções na Brigada Militar (BM). "Informações sobre registros de ocorrência, propriedades de veículo, que são sigilosas e estão nesses bancos de dados, cujo acesso se dá só pelos agentes de segurança pública", explica a delegada Luciana. Gladison Pieri e Pamela Pavão, influenciadores presos durante operação contra rifas virtuais ilegais Reprodução Ordens judiciais desrespeitadas Conforme a Polícia Civil, os dois influenciadores vinham desrespeitando decisões judiciais desde que foram alvos de uma operação que aconteceu em 2024. Eles chegaram a ser presos uma primeira vez, mas foram soltos sob algumas condições impostas pela Justiça, entre elas, deixar de fazer uso de redes sociais na internet. No entanto, a polícia afirma que os dois teriam continuado promovendo rifas e sorteios por meio de um "perfil de laranja" nas redes sociais. Foi identificado, durante investigação, um perfil de um amigo do casal que na verdade estaria na titularidade de Gladison Pierri. ➡️ A palavra "laranja", sozinha, pode ser empregada para definir alguém que assume uma função ou responsabilidade no papel, mas não na prática. Isso significa dizer que o laranja cede seu nome, com ou sem consentimento, para uso de outra pessoa. O termo, nesses casos, aparece geralmente em investigações policiais sobre fraudes. O que é um ANPP O ANPP é um acordo entre o MP e uma pessoa investigada para evitar o processo judicial: uma alternativa ao processo penal tradicional que é aplicada em casos de crimes menos graves, quando "não houve violência ou grave ameaça" e a pena é inferior a quatro anos de prisão. O acordo é celebrado antes do início da ação penal e só passa a valer após avaliação de um juiz. O esquema O casal de influenciadores Gladison Pieri e Pâmela Pavão investigados por crimes contra a economia popular, jogos de azar, lavagem de dinheiro e associação criminosa Reprodução Conforme a legislação brasileira, rifas virtuais são ilegais. Exceto caso haja uma autorização expressa do Ministério da Fazenda, todo e qualquer tipo de sorteio, seja envolvendo rifa ou qualquer outro jogo de azar, é tido como um "ato ilícito". Geralmente, há permissão para causas filantrópicas, mas apenas de prêmio e brindes – não de dinheiro. Além disso, a investigação policial aponta que, até 2023, o dinheiro pago pelo público interessado nas rifas ia direto para as contas do casal, o que é irregular. A partir de 2024, a dupla teria contratado uma "empresa de título de capitalização". Só que, por lei, os títulos precisavam estar vinculados a uma entidade beneficente, explica a Polícia Civil. O casal teria tentado dar legitimidade ao esquema ao associar as rifas a uma empresa de títulos de capitalização. O sistema adotado teria sido o "filantropia premiável", em que parte da arrecadação das rifas deveria ser destinada a uma instituição social. No papel, 33,4% do valor arrecadado iria para uma ONG. No entanto, a investigação apontou que o projeto recebia apenas 2,4%, enquanto o restante voltava para os influenciadores, por meio de contratos de publicidade. "Para nossa surpresa, a empresa capitalizadora, que é a maior especialista no assunto dentre todas as partes envolvidas, protagonizou a negociação que terminou por deixar apenas 2,4%, ao invés de 33,4% do faturamento bruto com as rifas para a filantropia", afirma o delegado Filipe Bringhenti. Por fim, a polícia aponta para a prática do crime de lavagem de dinheiro. Os valores arrecadados com as rifas, segundo a investigação, seriam misturados com o faturamento de empresas do casal, voltadas à prestação de serviços e também à venda de produtos paralelos. Casal suspeito de golpe da rifa vivia em apartamento de luxo em Balneário Camboriú Nota dos advogados "A defesa feita pelos escritórios Callegari e Giacomolli sempre confiou que uma análise cuidadosa dos fatos pelo Magistrado demonstraria que não havia motivos para manter o casal Gladison Pieri e Pamela Pavão em prisão preventiva, tendo em vista que eles nunca descumpriram as cautelares impostas. Ontem, em audiência realizada, o Juízo reconheceu que a prisão não se justificava e determinou sua revogação. O casal continuará colaborando integralmente com o processo e cumprindo todas as determinações judiciais, confiando no avanço regular do devido processo legal e no esclarecimento completo dos fatos". VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2025/11/29/esquema-de-rifas-virtuais-casal-de-influenciadores-preso-apos-comemorar-acordo-na-justica-com-casamento-de-luxo-e-fogos-de-artificio-e-solto.ghtml


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