Perícia confirma que carro vermelho entrou duas vezes em casa de mulher desaparecida há 4 semanas no RS; veja VÍDEO
21/02/2026
(Foto: Reprodução) Câmera registra movimentação de veículos na casa de família desaparecida no RS
A perícia nas imagens das câmeras de segurança da casa da mulher desaparecida há quatro semanas no RS foi concluída. As gravações mostram a movimentação de veículos no dia do desaparecimento.
Silvana Germann de Aguiar é filha do casal de idosos Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar. Todos estão desaparecidos desde os dias 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Relembre o caso abaixo.
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A Polícia Civil confirmou, na sexta-feira (20), que o mesmo carro entrou duas vezes na residência. Trata-se de um Fox. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário.
O vídeo mostra, em um primeiro momento, a entrada do carro vermelho no portão da residência às 20h34 do dia 24. O automóvel permanece no local por cerca de oito minutos e vai embora. (veja acima)
Uma hora depois, o veículo branco de Silvana entra na mesma área, mas não é visto saindo.
Mais tarde, por volta de 23h30, o Fox retorna, permanece por aproximadamente 12 minutos e, então, deixa o local.
Câmera registra movimentação de veículos na casa de família desaparecida no RS
Imagens cedidas
Material genético
Outra conclusão da perícia é de que o material genético encontrado na casa de Silvana é de um homem e de uma mulher, ainda não identificados. O do homem foi coletado no pátio e o da mulher, na pia do banheiro.
A análise busca confirmar o DNA e verificar se é de outra pessoa ou dos próprios desaparecidos.
PM prestou novo depoimento
Família desaparecida no RS: mesmo carro entrou duas vezes na casa
O policial militar Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente por suspeita de envolvimento no desaparecimento, prestou um novo depoimento à polícia na sexta-feira. O suspeito é ex-marido de Silvana.
De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio. O depoimento durou cerca de 1h30.
O advogado Jeverson Barcellos afirma que ele tem colaborado com as investigações e que as provas até agora são circunstanciais.
Os motivos que levaram PM à prisão
O que se sabe sobre o caso da família desaparecida no RS
Relembre o caso
Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar
Imagens cedidas/Polícia Civil
O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:
Antes do sumiço
2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.
A reportagem procurou Jeverson Barcellos, advogado de Cristiano, e aguarda posicionamento.
O fim de semana dos desaparecimentos
24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
- 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
- 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
- 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
25 de janeiro (domingo):
- Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
- Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
- Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos;
- O telefone fixo de Isail e Dalmira recebeu uma ligação originada do celular de Silvana. Como ela já era considerada desaparecida, a polícia investiga isso como uma estratégia para criar a impressão de que ela estaria viajando e, assim, atrasar o início das buscas.
Mercado da família Aguiar
Reprodução/RBS TV
Início das investigações
27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
28 de janeiro:
- Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
- Câmeras de segurança registraram o PM dentro da casa dos sogros. Ele foi visto entrando e saindo do local carregando mochilas. Ao ser questionado por vizinhos, ele teria alegado que Silvana sofrera um acidente e que ele estava lá para buscar ração para os animais de estimação;
1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.
Perícias e prisão
5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.
"Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (...) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP", explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.
7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais;
9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal);
10 de fevereiro:
- Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação (confira abaixo);
- Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso;
- O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.
Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação
13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos;
14 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa três semanas.
18 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que o sangue encontrado na casa de Silvana é humano. As amostras foram encaminhadas para análise para comparação genética, procedimento que deve indicar se o sangue pertence a algum dos desaparecidos;
19 de fevereiro: Polícia ouve novamente a atual esposa do suspeito — que falou por cerca de três horas;
20 de fevereiro: Cristiano presta depoimento à polícia. De acordo com a defesa, o PM ficou em silêncio. O depoimento durou cerca de 1h30. O irmão do suspeito também foi ouvido na delegacia.
Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha
Arte/g1
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